Ficha Técnica:
TITULO:
Diário de Zlata: A vida de uma menina na guerra.
AUTORA:
Zlata Filipovic
EDITORA:
Companhia das Letras
ANO: 1994
PÁGINAS:
184
GÊNERO: Romance
SINOPSE:
Zlata Filipovic
nasceu a 3 de Dezembro de 1980 em Sarajevo. É filha única e os pais são
muçulmanos. Antes da guerra, Zlata tinha por ambição ser jornalista numa
revista feminina. Zlata começa a escrever o seu diário no dia 2 de Setembro de
1991, quando começa um novo ano letivo. No seu diário de menina, com as suas
próprias palavras, inscrevem-se dia a dia os reflexos da vida que a cerca. De
repente, a guerra rebenta às portas de sua casa. Os temas mais vulgares cedem
então lugar ao medo, à cólera e à incompreensão. O universo de Zlata cai em
pedaços. Os bombardeamentos e os atiradores solitários semeiam a morte; falta a
água, a eletricidade, os alimentos... Zlata chora a sua infância destruída, mas
continua a escrever e a testemunhar. Hoje, quando os conflitos trágicos da
ex-Jugoslávia se enredam em negociações sem fim, a voz desta jovem de Sarajevo
ajuda-nos a compreender melhor os sofrimentos e o desespero de um povo inteiro.
http://sala-estudo-virtual.esjs-mafra.net/CLC/Trabalho/Diarios/Txt_apoio/zlata.pdfhttp://sala-estudo-virtual.esjs-mafra.net/CLC/Trabalho/Diarios/Txt_apoio/zlata.pdf
RESENHA
O diário de Zlata é um livro
emocionante baseado na vida da própria autora, onde a mesma divide com o
público um pouquinho das situações vivenciadas durante a Guerra da Bósnia.
Zlata e sua família viviam em Saravejo capital da Bósnia. Eu sei que você com
certeza já ouviu falar de Sarajevo em suas aulas de história, certo? O assassinato do herdeiro
do trono do Império Austro Húngaro, Franz Ferdinand aconteceu lá e o fatídico
evento ficou conhecido como Atentado de Sarajevo. Para
nos ajudar a relembrar o acontecido segue um trechinho de um site especializado:
“Em 1914, a Europa estava às portas de uma guerra. As
rivalidades entre as potências europeias, as questões nacionalistas no
continente, principalmente na região do Bálcãs, e o crescente extremismo
nacionalista tomavam proporções preocupantes.
Após convulsões sociais de cunho nacionalista nas
províncias da Bósnia e da Sérvia, partes do Império Austro Húngaro, o
arquiduque Franz Ferdinand foi destacado para ir até Sarajevo (capital atual da
Bósnia Herzegovina) tentar conter a onda nacionalista e apaziguar os ânimos de
sérvios e bósnios, assegurando a manutenção do controle da região pelo
Império.”
E em 1991 no início da Guerra da Bósnia essa narrativa
tem o seu início. Zlata ainda era só uma menina na sexta série quando começou a
escrever em seu diário que até então eram só anotações de uma menina feliz,
saudável e que tinha uma rotina recheada de tarefas comuns de crianças. Ler, ir
à escola, conversar com as amigas, passear nas férias, brincar com sua boneca
favorita chamada Bimbilimbica (nome cafona ou fofinho?? Ainda não decidi rsrs).
Até esse momento Zlata seguia sua infância e quando
não estava assistindo Um Maluco no Pedaço
– rsrsr Zlata tinha bom gosto pra séries rsrs - via pela TV murmúrios sobre uma
tal guerra e ações de pedidos de ajuda sendo divulgados. O semblante dos pais e
dos adultos ao seu redor já não demostrava mais tranquilidade e sim preocupação
e temor pelo futuro incerto de suas vidas.
No começo de 1992 a Guerra começa a ganhar força e
Zlata relata já ver nas ruas, civis armados construindo barricadas e ameaçando
populares. O primeiro encontro de Zlata com a guerra havia acontecido e ela
torcia para não ter de ver cenas como aquela novamente, mas infelizmente o rumo
dessa história não é dos mais felizes.
“Papai voltou de Zenica. Está todo perturbado porque diz que viu na estação de trens e na estação rodoviária. As pessoas estão fugindo de Saravejo. Cenas dolorosas. São vítimas da desinformação. As mães partem com os filhos, os pais ficam. Todo mundo chora. Papai disse que teria preferido jamais ter visto isso tudo”ZLATA.
A região da Europa em que Zlata residia era formada
por três grupos étnicos e religiosos: os sérvio cristãos, os croatas católicos e
os bósnios muçulmanos. A família de
Zlata era muçulmana “não praticante” (como chamamos algumas pessoas que se
identificam com determinada religião -seja por tradição familiar ou por simples
simpatia - mas não praticam os seus rituais efetivamente).
E apesar desses conflitos Zlata persistia em levar sua
vida da melhor forma possível tentando justificar o desespero geral que tomou a
população de Saravejo como “desinformação”. Até chegar ao ponto de comércios não
abrirem, escolas não funcionarem, suas amigas irem embora e os pais já não saírem
para trabalhar. Zlata tornou-se refém em sua própria casa, escondendo-se e
passando as noites no porão de sua casa. Aquela infância feliz e saudável de um
ano atrás parecia um sonho distante a essa altura.
Foram sombrios dias escondida no porão com sua
família, sem água, luz e comida escassa. As ruas estavam incendiadas, as
crianças mortas pelo asfalto e até o presidente daquela nação havia sido
sequestrado. E Zlata só sentia medo e vontade de carregar sua família para
longe daquele lugar que um dia havia chamado de lar.
A família de Zlata passou por muitas perdas e necessidades
das mais básicas as mais supérfluas e no final de 1993 a guerra caminha para um
fim. Ela volta a escola e as atividades musicais que tanto ama, mas a guerra
deixa suas marcas e apesar de ter acabado e tratados terem sido assinados as
lembranças estarão para sempre avivadas em sua memória.
Conhecia a história de Zlata quando tinha onze anos e
foi um dos primeiros livros que li. Já reli essa história umas cinco vezes e
toda vez que a releio aprendo alguma coisa com a Zlata. E o que mais me chama
atenção é que -apesar da aparente imaturidade – ela sempre olhava para frente e
se esforçava em fazer a vida seguir apesar das atribulações e tirou o melhor
que podia da guerra e das perdas que sofreu. Transformou seus escritos de
menina em um lindo livro onde perpetuou a história de sua família e de sua
cidade.
“A guerra parece tudo, menos uma brincadeira. Ela destrói, mata, incendeia, separa, traz a infelicidade”.
Zlata.





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