FICHA TÉCNICA
Autor: H.G. Wells
Título: A Guerra dos Mundos
Edição: 1ª ed
Local de Publicação: Editora Suma de Letras, 2016.
Nº Páginas: 310
Gênero: Ficção Científica
Herbert George Wells, nasceu em 1866, bem no meio da Primeira Revolução Industrial, que marcava a substituição do trabalho artesanal pelo uso das máquinas.
A Inglaterra foi a pioneira devido a muitos aspectos, essencialmente por possuir uma burguesia rica, ter livre comércio entre os países europeus e fácil acesso ao mar, além de abundância em matéria prima.
Surgia a era do aço, da energia elétrica, da máquina à vapor e da indústria automobilística . E foi em meio a todo esse progresso e transformação do mundo, que H.G. Wells resolveu criar uma história de ficção científica, mas não era apenas um romance em que outros seres queriam se comunicar conosco e nos enviar uma mensagem de amor e evolução.
O intelecto humano já admite que a vida é uma incessante luta pela existência, e parece ser essa também a crença das mentes marcianas.
Nessa resenha vou falar porque esse livro é o pai da ficção científica e que, apesar de falar sobre uma invasão à Terra por marcianos, as críticas à nossa própria espécie contidas nessa obra fazem dele um clássico da literatura mundial e que é leitura obrigatória para a vida.
Mas, antes de os julgarmos com muita severidade, lembremos a destruição cruel e completa que nossa própria espécie impôs não só a animais (...) mas a suas próprias raças "menores".
SÍNTESE
Nosso personagem principal é um jornalista que escreve textos de cunho filófico-científico e não ganha nome aqui. Ele é apenas um sobrevivente que foi testemunha ocular da invasão dos marcianos à Terra.
O enredo basicamente gira em torno da descrição detalhada e horrorizada, por vezes tentando não perder a sanidade, de um cidadão comum da Inglaterra que leva sua vida na maior tranquilidade na região de Woking, onde cai o primeiro cilindro marciano. E a partir daí, depois daquela sexta-feira, as próximas semanas o tornarão numa alma miserável tentando, a todo custo, permanecer vivo ao extermínio.
Por volta das sete horas da noite passada, os marcianos saíram do cilindro e, deslocando-se sob uma armadura de escudos metálicos, destruíram totalmente a estação de Woking e as casas adjacentes, e massacraram um batalhão inteiro do Regimento de Cardigan (...) fortificações de terra estão sendo erguidas para deter o avanço em direção a Londres.
E depois disso tudo, ele escreve um livro, nos contando a surreal experiência de estar cara a cara com máquinas de guerra vindas de Marte.
O texto intercala nosso narrador, contando a sua história no começo da invasão, com a história de seu irmão, que teria, provavelmente sobrevivido. Os dias de aprisionamento, a forma que os alienígenas se alimentavam, se comunicavam e se locomoviam, etc tudo isso é descrito tão detalhadamente pelo narrador que impressiona!
É desagradável para mim recordar e escrever sobre essas coisas, mas escrevo-as para que nada falte à minha história.
CRÍTICA
O livro, criado em plena Revolução Industrial, nos mostra a superioridade de uma raça marciana que, no começo desprezamos, e quando percebemos que eles poderiam ser uma ameça já era tarde demais, eles avançavam em seus tripods de 30 metros de altura queimando tudo o que se mexia, corria e gritava.
Uma obs: pelos deuses! como as pessoas demoraram tanto para perceber que eles eram uma ameaça! Que agonia!
Voltando ao texto...
Foi nesse livro, que tivemos a primeira descrição de um alienígena que em nada se parecia conosco. A criatura horrenda, com olhos grandes e frios, boca triangular e tentáculos que serviam como mãos, era inteligente, desprovido de sentimentos e estavam aqui para dominar o planeta.
A narrativa de Wells foi perfeita! Com diálogos bem construídos e uma descrição excepcional!
Ele acreditava que o conto deveria ser como uma flecha, um feixe intenso de estímulos verbais para a produção de um efeito extraordinário. E realmente a forma da escrita nos prende e nos envolve com o horror que o personagem sente.
Ao longo do livro vamos percebendo o quão fútil é a raça humana, que ao fugir do ataque levavam baús com pertences de valor ao invés de levar água e comida, por exemplo.
Mas é no final dele que nos sentimos os verdadeiros marcianos.
Percebi o quanto nós somos dominadores e terríveis aos que consideramos uma espécie inferior.
Wells, ao descrever a alimentação dos marcianos dá um leve tapa na nossa cara, uma vez que eles sugavam o sangue dos humanos para ter sangue fresco circulando em seus corpos e por isso não possuíam sistema digestivo.
Por mais que essa ideia seja terrivelmente repulsiva para nós, devemos ter em mente como nossos hábitos carnívoros pareceriam repugnantes a um coelho inteligente.
A Guerra dos Mundos, por fim, não significa Humanos X Marcianos. Nós, nada pudemos fazer para detê-los. Mas então, o que esse nome representa? Quem foi esse "mundo" que derrotou os marcianos?
Isso, meu amigo e minha amiga você perceberá lá na página 283. Até lá, apenas delicie-se com a grandiosidade da escrita de Wells e absorva os questionamentos que ele faz.
E queria registrar que o parágrafo de introdução é um dos melhores que já li na minha vida!
CONCLUSÃO
Se aprendemos alguma coisa com essa Guerra, decerto foi a piedade - piedade pelas almas ingênuas que sofrem nosso domínio.
A história do mundo se construiu assim, com domínio de uns povos sobre os outros, onde a supremacia de uma raça era razão para exterminar a outra. Assim foi quando os Europeus chegaram às Américas, na África e nas pequenas ilhas desconhecidas de outrora.
Nosso jornalista sobrevivente percebe que se os marcianos conseguiram vir de Marte, um dia poderemos ir para outro planeta também.
E eis que 1 século depois:
Em 2003 pousou a sonda Spirit em Marte, primeiro robô terráqueo!
Duas notícias recentes:
A NASA está criando uma tecnologia que leve os humanos para Marte. Até o momento o planeta vermelho é colonizado por robôs, esses não são máquinas de guerra, mas sim cientistas coletando amostras de vida, mas ao que parece, pode ser mais um planeta, que na avidez por dominação e conquistas, nós, humanos, poderemos corromper também.
E agora, quem é que é o alienígena invadindo planetas?
SOBRE A EDIÇÃO DO LIVRO
Tão espetacular quanto a obra! O acabamento do livro é lindo demais!
As ilustrações são maravilhosas e a introdução feita pelo Brian Aldiss, um dos maiores influenciados pela literatura científica de Wells, nos dá informações, explicações e ideias que nos deixam com mais vontade ainda de ler o livro e de compreender tamanha a sua importância.
A Suma caprichou na edição!
Então, já te dei zilhões de motivos para adquirir esse livro e encarar a obra mais incrível da ficção científica clássica.
Agora é só adquirir o livro pelo link:
A Guerra dos Mundos (Amazon) e ler. Depois me conta o que você achou.
Beijos e até a próxima!









2 Comentários
Olá Mi,
ResponderExcluirNem tenho palavras pra descrever o quanto admiro essa obra!!! Concordo em absoluto com tudo o que você disse! É uma obra que todos devem ler! Uma crítica absolutamente inerente e atemporal a nossa raça! Resenha incrível, parabéns...
www.blogleituravirtual.com/
Entrei pra fila dos fãs da obra. É uma leitura extremamente necessária, mesmo. Que bom que gostou da resenha, Gustavo. Muito obrigada! 😘
ExcluirObrigada por comentar! Assim que possível venho aqui para responder você. Beijos!